Vejam o clipe de Rock´n´Roll Train, no Excel. Sim, no Excel. Aqui.
Publicado em Humor | Tagged ac/dc, dummies, excel, nerd, rock'n'roll train | 1 Comentário »

O começo dos anos 70 ainda respiravam pela esperança de paz, amor, fraternidade e juventude do auge dos 60, mas dava sinais de desgaste diante de uma utopia que parecia muito bonita, ensolarada e contagiante, mas inócua no sentido prático. A ressaca moral estava no ar, ainda sem tomar uma forma concreta para a maioria das pessoas, mas alguns artistas, conscientemente (ou não), colocavam em suas obras marcas do cinismo, pessimismo e incertezas da nova década. John Lennon berra desesperadamente por sua mãe, por um alento, e vocifera que o sonho acabou. Em cinco anos, Bowie acreditava que o mundo, ou tal como o idealizávamos, iria acabar e em certa medida ele estava certo. Sly Stone canta dopado e não consegue esconder que as coisas não irão bem na década que começa – quando ele sussurra em falsete “You Caught Me Smiling” a impressão que se tem é que é uma surpresa encontrá-lo sorrindo. Até os Kinks trocaram o bom humor e a alegria nostálgica dos tempos de Village Green Preservation Society por um humor cínico agridoce em seu Lola Vs. The Powerman.
O período de 1968 a 1972 não poderiam ser melhores para Neil. Com a aclamação pela critica e público de discos como Everybody Knows This is Nowhere, After the Goldrush, Deja Vú (com Stills, Nash e Crosby) e o megahit Harvest que consolidou seu status no estrelato, parecia que nada poderia parar Neil Young. Nada, exceto os abusos que só o estrelato e a vida incessante na estrada poderiam acarretar: doses cavalares de bebidas, cocaína e heroína foram minando Young e seus companheiros de estrada, o que culminou com a morte de Danny Whitten, líder do Crazy Horse, e Bruce Berry, roadie que faleceu na malfadada turnê que resultou no controverso disco ao vivo Times Fade Away. Ao lado deste álbum, Young realizou mais duas obras neste período turbulento da carreira. Enquanto Times Fade Away é um registro duma vida em turnê decadente, bêbada e trôpega, distante do trabalho primoroso e bem retocado de Harvest, Tonight’s The Night, por sua vez, é a voz de lamento de um homem perdido, no fundo do poço, e que canta suas desgraças recentes e sua vida pregressa da forma mais direta, aberta e crua que se pode ter notícia. On The Beach é a tentativa de cicatrizar as feridas abertas e dar a volta por cima.
Aparentemente é um disco mais terno e mais ensolarado que os anteriores, mas a instrumentação mais concisa e sóbria apenas esconde a quantidade de ressentimento, melancolia e farpas das letras. A cada audição do disco vem à tona o real peso de cada música. “Walk On” pode ser entendida como uma contra-resposta à crítica desferida pelo Lynyrd Skynyrd em “Sweet Home Alabama”, mas, além disto, como uma auto-afirmação de Neil Young que ele deve levantar a cabeça, não esquecer o que passou, mas seguir em frente. “See The Sky About The Rain”, música composta já há mais tempo, adquire um novo valor na interpretação sentida e emocionante de Young. No disco podemos ouví-lo encarnar a persona de Charles Manson e atacar os artistas de Laurel Canyon em “Revolution Blues”, fazer escárnio do sucesso e glória em “For The Turnstiles” e “Vampire Blues” e, no final, eclodir na sequência de músicas mais tristes que se pode ter notícia em sua discografia: “On The Beach”, “Motion Pictures” e “Ambulance Blues”. Os arranjos esparsos e econômicos destas músicas só realçam o sentimento de solidão e ruminação das letras. Quando ele canta “Eu preciso de uma multidão de pessoas, mas não consigo encará-las no dia-a-dia…” em “On The Beach”, há consonância direta com “Bem, aquele pessoal, eles acham que já têm de tudo/ Mas eu não vou comprar, vender, emprestar ou trocar nada que tenho para ser como um deles…” de “Motion Pictures” e com trechos como “Então, todos vocês, críticos, sentados aí sozinhos / Vocês não são melhores do que eu pelo que já mostraram…” de “Ambulance Blues”.
Neil Young, num breve período de seis anos, encontrou o céu e o inferno, e “On The Beach” é o seu purgatório, ou o confessionário em que toda a juventude setentista iria se identificar diante daqueles tempos estranhos que os atropelavam. Mais que isto, fez uma obra atemporal dos momentos em que temos que encarar de frente nossos demônios interiores, nossas marcas e cicatrizes mais profundas e saírmos fortalecidos, tal qual nas linhas finais de “Motion Pictures”: “Bem, todas aquelas manchetes, elas me aborrecem agora / Estou preso dentro de mim mesmo profundamente / mas eu ficarei livre de alguma forma.”
Download: http://www.mediafire.com/?lu0tg5ghxuj
Publicado em Clássicos | Tagged berry bruce, crazy horse, danny whitten, neil, on the beach, young | Deixar um comentário »
Escrevi uma crítica no site do Programa Alto-Falante sobre o lançamento recente de um show antigo do Sr. Camaleão, o Ziggy, o Thin White Duke.
Confiram aqui.
Publicado em Lançamentos | Tagged alto-falante, crítica, davi bowie, live at santa monica, programa | Deixar um comentário »
Em resumo, pode-se dizer que esta é a trilha sonora do apocalipse. Ou ainda, o retrato do início do declínio de uma banda que naturalmente estava fadada à auto-destruição. Ou, se preferirem, a moldura que exibe a mente tortuosa, insandecida e genial de Iggy Pop no limiar da navalha da demência que o jogaria futuramente num manicômio. Raw Power é direto, virulento, perigoso como poucos discos na história da música pop ousaram ser. Cada riff de James Williamson, cada linha do baixo de Ron Asheton, cada batida de Scott Asheton soam como uma briga de gangues, um ataque de cavalaria, um batalhão de choque. E no olho do furacão está Iggy, como um lunático com ares de grandeza que age de forma errática, mas meticulosamente errática.
Por uma obra do destino este disco chegou a sair: a banda estava prestes a se esfacelar (o que efetivamente ocorreu pouco depois de lançado); o baixista original, Dave Alexander, saira da banda juntamente com Ron Asheton, guitarrista original; e Iggy estava se afundando mais nas drogas e, por consequência, na auto-destruição física e mental. Com a ajuda de David Bowie, a banda se reúne, mas com mudanças cruciais na sua formação: Ron Asheton é “rebaixado” a baixista e recrutou James Williamson para assumir seu posto. Estes ingredientes são a base para o coquetel molotov disparado contra nosso ouvidos ao longo de pouco mais de meia hora de sexo, drogas, violência e rock´n´roll.
Logo no ritmo galopante inicial de “Search and Destroy”, já é notável a tensão que se criou entre os integrantes: ao passo que os riffs de Williamson cortavam certeiros e afiados, Asheton tocava seu baixo quase como uma guitarra tentando impedir o avanço de seu rival. Iggy berra, sussurra, geme em meio aos feedbacks: “I’m a street walking cheetah with a heart full of napalm/ I’m a runaway son of the nuclear A-bomb…” enquanto Scott se encarrega de desferir, como um primata insandecido, um ritmo martelado, repetitivo e simples de bumbo, caixa e prato. Segue-se tortuosamente por “Gimme Danger”, a balada do disco. Isto não significa que há alívio no som que se ouve: o violão seco agride tanto quanto a guitarra, e a voz de Iggy entra cheia de lascívia, num dos versos mais ambíguos que se tem notícia: “Gimme danger little stranger/And I feel with you at ease/Gimme danger little stranger/And I feel your disease”. E quando a música atinge seu ápice, se transfigura num pesadelo hedonista, prazer e morte lado a lado. A tônica do disco se mantém com petardos agressivos como o proto-punk sarcástico de “Your Pretty Face Is Going To Hell”, o blues drogado de “I need Somebody”, passando pelo punkabilly “I-saw-her-standing-there-tocada-no-inferno” de “Shake Appeal” até culminar na afetada “Death Trip”, um tratado da psicodelia setentista, onde o vício, a paranóia e o desespero sobrepujam os escassos momentos de prazer.
Um assunto controverso que sempre é colocado em pauta quando se fala sobre Raw Power diz respeito à sua mixagem e produção. A vontade de Iggy, na época, era ficar a cargo destes aspectos técnicos. Os executivos da empresa de Bowie, MainMan, colocaram a condição que Bowie cuidasse disto para que o disco fosse comercializado. Iggy refutou de início, mas cedeu a mixagem e cuidou da produção, exceto por Search and Destroy, em que cuidou de tudo. A grande questão é que houve muitas críticas, inclusive de Iggy, sobre o som fraco e inofensivo da versão que chegou ao grande público. Diversos bootlegs circularam ao longo dos anos sendo creditados como “a versão verdadeira” ou “a versão de Iggy Pop”. Apenas recentemente podemos ter a chance de ouvir, pelo menos em teoria, o que seria o som real de Raw Power. Sob a supervisão de Iggy, Raw Power foi remasterizado e remixado como deveria soar ao ouvido de todos: uma banda que exalava sangue e sexo, uma agressão em tom de espetáculo sintetizado no rock’n'roll mais cru, alto e grotescamente violento que se pode ter notícia.
Download: http://www.mediafire.com/?azil8z4jj1z
Publicado em Clássicos | Tagged iggy pop; raw; power; ron asheton; scott asheton; james | 2 Comentários »
Este é o título do meu novo ensaio publicado no site do Programa Alto-Falante.
Confiram o ensaio aqui.
Publicado em Geral | Tagged alto-falante, amy, ensaio, programa, winehouse | 1 Comentário »
De uma banda inócua de Britpop a inovadores da música pop. Ninguém que ouvisse o pálido Pablo Honey em 1993, ano em que o Grunge ainda ditava as cartas, poderia imaginar que aqueles ingleses esquálidos e estranhos pudessem ser os líderes dos novos caminhos da música como poucos em nosso tempo. Apesar de terem Thom York como líder e principal compositor, Johnny e Colin Greenwood, Phil Selway e Ed O´Brien são figuras chave na concisão e avanços que a banda vem apresentando em quase vinte anos de existência. É interessante observar neste interím as mudanças, ora amenas, ora radicais que o quinteto nos brindou:
Pablo Honey – 1993
Um debut mediano, que ao envelhecer só realça as disparidades em relação ao corpo da obra do Radiohead. Felizmente, deixa patente as qualidades que veríamos depois, como as linhas de três guitarras que aumentam a angústia de “Blow-Out”, a alternância dos sussurros ao ataque feroz de “Creep”, ou ainda, a beleza disforme de “Stop Whispering”. Serve mais para os fãs entenderem (ou não) a evolução da banda.
Avaliação: 3 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?z4esmuzedwz
The Bends – 1995
O mundo (ou, num primeiro momento, a Inglaterra) foram tomados de assombro quando se depararam com The Bends. Ninguém conseguia associar este disco àquela banda que fez o simples Pablo Honey. The Bends não é apenas um clássico do rock como também um dos melhores discos dos anos 90. Seja pela interação da banda, seja pela inspiração de Thom Yorke, aqui o Radiohead mostra uma de suas faces. É um Radiohead que ainda bebe de suas influências, demarcadamente o noise-rock dos Pixies, o rock antêmico de arena do U2 e o folk e indie-rock do R.E.M, mas com tamanha personalidade e habilidade que estas influências só se tornam aparentes depois de diversas audições. Os hits (ou potenciais hits) são até difíceis de demarcar, como o início grandioso de “Planet Telex”, passando pela beleza incômoda de “High and Dry”, a ironia pixieana de “My Iron Lung”, o ataque nervoso anti-suicídio de “Just” ou o final épico e triste de “Street Spirit”.
Avaliação: 5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?gwzzmqdngbz
Ok Computer - 1997
Os críticos respeitavam, a quantidade de fãs aumentavam. O que fazer? Qualquer banda em sã consciência faria um The Bends, parte 2 e agradaria a todos, ou pelo menos os fãs. Mas o Radiohead não estava em sã consciência. Muito pelo contrário, a vida moderna, informatização crescente, internet, globalização estavam os oprimindo e deprimindo. O desespero reinava. E assim, nasce Ok Computer. Assim como não se notava (ou não eram óbvios) rastros do Pablo Honey em The Bends, o mesmo ocorre em Ok Computer. Desde o ar etéreo das guitarras de “Let Down”, aos teclados densos de “Exit Music”, ou às mudanças de tempo abruptas de “Paranoid Android”, o que se observa é uma outra banda que nos brinda com um testamento de “rock moderno” ou um rock para os novos tempos. Seja o que for, o Radiohead consolidou sua marca como uma banda inovadora e distinguiu sua voz diante das demais.
Avaliação: 5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?1ejhhdqkjnm
Kid A – 2000
Ninguém esperava uma guinada brusca como foi o Radiohead nos anos 2000. Aliás, ninguém estava preparado para algo como Kid A no universo pop. Um disco de rock que emulava eletrônico? Ou um disco de eletrônico que atacava como rock? Isto é uma voz ou um sintetizador? Estas dúvidas pairavam (e ainda pairam) a cada audição do disco. Uma coisa disforme, sem pé nem cabeça, sem começo, meio e fim, sem músicas (seriam aquilo músicas?) discerníveis, exceto por breves pausas como em “How to Disappear Completely”. O Radiohead levava seu som a outros patamares, meio que para se desafiar, meio que para desafiar a todos, críticos, fãs de longa data, iniciados. É como se conseguisse ouvir em cada música ressoar “Aguentam ouvir isto? E isto?”. Ainda hoje não é um disco fácil de se assimilar, mas ao se penetrar em seu mundo, Kid A mostra seu valioso crédito à música do novo milênio.
Avaliação: 4,5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?dybnm5amymx
Amnesiac – 2001
A primeira impressão que se tem ao ouvir Amnesiac é que são sobras de gravação do Kid A. Em parte esta afirmação é verdade, mas quem dera que toda banda conseguisse lançar um disco de Lados B e sobras de gravação deste naipe. O melhor é pensar Amnesiac como uma extensão de Kid A, ou ainda, uma versão menos paranóica e mais palatável do seu irmão mais velho. Talvez devido à pressa do lançamento é um disco que conta, no conjunto, de canções menos inspiradas, como “Pull/Pulk Revolving Doors” ou “Like Spinning Plates”. Além disto, estas músicas excedem tanto na redenção à música eletrônica que quase chegam ao nível da paródia. No entanto, pérolas como “Pyramid Song”, “You and Whose Army?”, “Knives Out” e “I Might Be Wrong” asseguram a qualidade deste bom disco.
Avaliação: 4 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?ixh2a3tx440
Hail to The Thief – 2003
Neste ponto o Radiohead já era referenciado no universo pop como inovadores, revolucionários e estes termos que os grandes especuladores de hype adoram lançar sobre os artistas. Com esta premissa, muita expectativa foi criada para qual direcionamento a banda iria tomar depois do monstro disforme e paranóico de Kid A e seu irmão menos perturbador Amnesiac. Hail to The Thief vaza na internet e o que se vê? Mais do mesmo. Não é que o disco seja uma extensão de Kid A, ou uma reciclagem de velhos clichês (ou, para não ferir os fãs-freaks, um “revisionismo da carreira”) ou uma tentativa de agradar os dois extremos de fãs que eles conseguiram angariar (aqueles que reverenciam a fase clássica, até OK Computer e aqueles que veneram a fase experimental, que parte do OK Computer em diante). Bem, na verdade, é isto tudo mesmo. Não há nada de mal nisto, desde que a banda tenha um conjunto de canções fortes o bastante para que esta requentada de idéias seja, ao menos, saborosa. E Hail to The Thief falha exatamente nisto. É um bom disco, mas que vai de extremos do sublime (o folk pertubador de “Go To Sleep”, o punk-rock-encontra-gospel de “2+2=5″, a beleza éterea e tensa de “There, There” ou a sujeira descompassada de “Myxomatosis”) ao indigesto (o exagero no eletrônico de “Backdrifts” e “The Gloaming” ou o choro insosso de “Scatterbrain”). Independente dos hypes, inovando ou não, “Hail to The Thief” acabou sendo um desapontamento.
Avaliação: 3,5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?l2iojzoczbj
In Rainbows – 2007
O Radiohead estava num hiato consideravelmente grande para o lançamento de material novo que as pessoas praticamente não esperavam o lançamento de In Rainbows. Muito menos da forma como o disco foi lançado: de forma praticamente independente, a banda disponibilizou o disco na Internet num sistema de compra de “pague o quanto vc acha que o disco vale”. Além de dar uma banana para as grandes gravadoras, revolucionar a forma de comercialização do disco, o Radiohead volta a velha forma com este belíssimo disco. A banda não apresenta um conjunto de músicas tão forte desde a dupla Kid A/Amnesiac. Ou não soam tão palatáveis desde The Bends ou até mesmo Ok Computer. Na verdade, In Rainbows é o elo perdido entre Ok Computer e Kid A: avançam em experimentações mas investindo em canções que grudam em nossos ouvidos. Inclusive tematicamente saem do eixo depressivo-angustiado-sofrido para algo mais terno, apaixonado e romântico. É o disco onde Thom Yorke mostra uma faceta que não conhecíamos: a de um homem romântico, não apenas um homem oprimido pela sociedade contemporânea. Mesmo momentos de maior tensão, como a agitada “Bodysnatchers” ou o ritmo sincopado de “15 Steps” são cercados por um brilho, uma alegria que não eram comuns ao Radiohead. Em suma, In Rainbows é tudo que Hail to the Thief deveria ter sido e é a credencial de que o Radiohead ainda segue na frente das demais bandas, nos brindando com um disco surpreendentemente belo e instigante.
Avaliação: 4,5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?ncvsjtdokml
Publicado em Guia de Compras | Tagged britpop, discografia, eletrônico, Guia de Compras, hail to the thief, in rainbows, kid a, ok computer, pablo honey, radiohead, rock experimental, the bends, thom yorke | 19 Comentários »
Pois é pessoal. Tenho que fazer o jabá da minha nova banda, a IEEE machine. E já mostro para vocês, de cara, o nosso disco de estréia por uma major. “We must use them.” é um disco prog-metal-funk experimental, com influências de Wando, Agnaldo Timóteo e Eletroclash.
Acreditaram?
Esta capa na verdade é um joguinho que vi no blog Máquina Extraordinária, e caso vocês não tenham nada o que fazer, podem tentar este exercício do mais puro “ócio criativo”:
1) acesse http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random – o título da primeira página aleatória que aparecer será o nome da sua banda.
2) vá pra http://www.quotationspage.com/random.php3 – as últimas quatro palavras da última frase da página formarão o título do seu disco.
3) acesse http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/ – a terceira foto, não importa qual seja, será a capa do seu disco.
Agradecimentos à Isabela da Máquina Extraordinária.
Publicado em Geral, Humor | Tagged humor; capa; disco; IEEE machine; We must use them; | 1 Comentário »
Se enganam aqueles que pensam que Tom Zé é apenas um senhor de 70 anos que foi mero coadjuvante do movimento Tropicalista e que só foi “salvo” por David Byrne por puro exotismo estrangeiro. Tom Zé se formou em música quando a Universidade de Música da Bahia era referência mundial no assunto. Ao mesmo tempo, ele nunca esqueceu suas raízes, de forma alguma. Sua produção ao longo do tempo comprova isto, desde seu disco de estréia em 1968. O regional, o pop e o erudito são seu insumo, e ele regurgita essas referências nas formas mais clássicas/absurdas, tradicionais/pós-modernas, modais/atonais. Ele não se importa com isto, apenas em fazer música (ele deixa o lado chato de análises vãs sobre suas obras com pessoas como eu).
Em 1975, já longe dos holofotes do estrelato alcançado com o prêmio do Festival da Canção de 1968 por São São Paulo e desiludido pela incompreensão do público e da crítica, Tom Zé quase nos priva de desfrutar de um dos mais belos registros da música brasileira, uma verdadeira homenagem às avessas (ou não) ao Samba, uma homenagem ao modo Tom Zé.
Tudo começa com a intrigante capa (o que chamou a atenção de David Byrne no sebo): cordas e arame farpado e Samba em letras capitais. É um convite para um retorno às raízes, à roça propriamente dita, ou um aviso de que será um caminho tortuoso, espinhoso? E assim começa Estudando o Samba: são ambas as coisas, um retorno às raízes da música brasileira, até mesmo antes do Samba como gênero per si e uma viagem que terá percalços pela rota.
Há de tudo, desde a cantiga de roda (Mã), passando pelo maxixe (Vai), pelo samba-canção (Só), choro (Se), bossa nova (A Felicidade), até, se o neologismo me permite, um pós-samba (Toc). Claro que para um estudo não pode faltar um Índice e ele está ali, no final, genialmente (re/des)construindo a obra e o Samba. Permeados nos estilos clássicos que caracterizam o Samba estão as farpas e espinhos da genialidade de Tom Zé, que consegue aliar, às duras penas, pop, erudito e regional. Mas diante desta batalha, salvaram-se todos, o Samba, Tom Zé e o ouvinte.
Download: http://www.mediafire.com/?gzt5a5iy5by
Publicado em Clássicos | Tagged tom; zé; estudando; samba; clássicos | 3 Comentários »




