Os Black Keys podem ser facilmente confundidos como uma corruptela barata dos White Stripes, dada a configuração da banda (basicamente guitarra e bateria). No entanto, uma audição atenta à discografia da dupla Dan Auerbach e Patrick Carney joga rapidamente esta teoria no chão. Ao passo que ambas bandas se baseam nas raízes do blues como ponto inicial para suas composições, os Black Keys se distinguem dos Stripes exatamente por se aterem e respeitarem essas raízes. É um blues de garagem, seco, rústico e gutural, imerso em feedbacks e distorções mas que poderiam muito bem serem executados sem estranhamento na época de Robert Johnson ou Howlin’ Wolf. Logo abaixo está um guia rápido àqueles que quiserem se aprofundar na obra desta ótima subestimada banda do novo milênio:
The Big Come Up – 2002
Um bom disco de estréia, mas que vale mais pela promessa de uma banda mais sólida e confiante no futuro. A produção, ainda muito rústica e suja, compromete um pouco a receptividade imediata da obra. Mas a performance sincera de Dan e Patrick conseguem despertar a atenção e valorizar ótimas músicas como Heavy Soul, I´ll Be Your Man e Yearnin’. Uma curiosidade é a versão blues de “She Said, She Said”, dos Beatles.
Avaliação: 3,5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?nm5cd809jz3
Thickfreakness – 2003
A promessa se consolida neste ótimo disco. A proposta é basicamente a mesma, blues rock de garagem, na sua forma mais primal e direta. Mas a produção de Patrick Carney agora realça o que estava encoberto no excesso de feedback, distorção e sujeira do disco anterior. Mesmo se atendo ao blues, Dan Auerbach supreende de forma imprevísivel a cada faixa, como no ataque raivoso de “Set You Free” ou na balada áspera de “Have Love Will Travel”.
Avaliação: 4,5 de 5
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Rubber Factory – 2004
Como se ater às raízes de um gênero e ainda soar novo, vivo e atemporal? Rubber Factory é a resposta. Thickfreakness sedimentou a reputação como blueseiros, mas ninguém poderia imaginar o colossal desenvolvimento da banda neste disco. Desde o soturno início de “When The Lights Go Out”, passando pela delicada, mas áspera, balada “The Lengths”, ou ao se ouvir o Indie Rock antêmico de “10 AM Automatic”, os Black Keys criam uma obra concisa, gutural e atemporal. As músicas são tocadas com tamanho fervor e dedicação que até a maravilhosa versão da música dos Kinks “Act Nice and Gentle” soa como se fosse uma composição própria deles. A habilidade e entrosamento da banda é outra característica notável, tanto pelas mudanças precisas de tempo de Carney, quanto pelos criativos riffs desferidos por Auerbach. Carney também impressiona pelo desenvolvimento como produtor: manteve o ar cru e ríspido, mas adicionando sutilezas e novos sons e camadas. Uma pequena obra-prima.
Avaliação: 5 de 5
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Magic Potion – 2006
Diante do sucesso e aclamação da crítica, os Black Keys demonstram nesta obra um certo acomodamento. Não há nada de essencialmente novo, diferenciado, exceto por uma produção um pouco mais polida e adoção de guitarras com sonoridade mais limpa que nos discos anteriores. O disco não é ruim, mas nota-se um certo esgotamento e falta de paixão da banda. Ainda assim, há músicas que competem com o melhor que eles fizeram até então, como o riff nervoso de “Just Got to Be”, a bela balada de “You´re The One” ou o soul-blues de “Just a Little Heat”.
Avaliação: 4 de 5
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Attack & Release - 2008
Muitas histórias rondavam a próxima obra dos Black Keys. Inicialmente, era um projeto que seria feito em conjunto e em homenagem a Ike Turner. Depois especulou-se sobre outra colaboração bizarra: o disco seria produzido pelo badalado produtor Danger Mouse. O fato é que Ike morreu neste interím e ao se ouvir o disco não se percebe nada tão claro e evidente de uma co-parceria ou uma homenagem velada. Ainda assim, Danger Mouse realmente produziu o disco e, diante da escolha ousada, os Black Keys saíram ganhando: Attack & Release é a obra mais bem acabada da dupla desde o grande “clássico recente” Rubber Factory. Percebe-se claramente a intervenção de Danger Mouse diante da produção ousada. Instrumentos inusitados foram adicionados, a produção polida e ousada prevalece e em vários momentos a guitarra não é o centro das atenções, preferindo-se um clima mais relaxado, ou até mesmo dançante, ao invés dos ataques brutais e guturais de outrora. Mas o que poderia ser um sinal de esgotamento e descaracterização da banda é, na verdade, onde afloram suas virtudes na composição e se percebe realmente a autenticidade como uma legítima banda de blues rock. Destaques para “The Same Old Thing” e suas flautas dissonantes; “Psychotic Girl”, com seu ar surreal ressaltado pelo banjo preguiçoso e cadenciado, o clima estranho e festivo de Oceans & Streams e o belíssimo encerramento com “Things Ain´t Like They Used to Be”.
Avaliação: 5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?ifmztblyadu
Consegui este Attack & Release e me surpreendi. Pensava mesmo que seriam uma cópia barata do White Stripes e vi que no mínimo, estão no mesmo nível da outra dupla. Muito bom, vou correr atrás dos outros.
Jisus! Como eu respeito essa banda. Nunca houve qualquer rumor de uma vinda deles ao Brasil? Certeza que devem cobrar uma bagatela. Até perguntei via site oficial, mas responderam que nem convite foi feito (mas a namorada de um deles adora CSS, também foi respondido).
Clouber,
Não conhecia essa banda, nem nunca tinha ouvido falar, mas segui seu conselho e baixei (escolhi o thickfreakness primeiro). PUTA QUE PARIU!! PIREI!
Valeu Clouber!
Abraço!
Blah!
Ouvi Thickfreakness uns 3 anos atras e achei um saco, desisti dessa banda. Barulhenta e sem graca.
Talvez eu deva ouvir os ultimos, todo mundo fala que eh legal. Foi a mesma coisa com Radiohead… ouvi The Bends primeiro ateh cansar. Dai larguei pra lah ateh ouvir Idioteque e PIREEEEEEEEI OS CABECAAAO, MEU FIO!!!
Vamos ver!
Simples, galera !!!
Essa banda é muito foda !!!
Black Keys é o White Stripes com o demônio no corpo!!! HSUHAHSUhUAHSuhUASH…
Realmente a banda é fantástica! Misturando Blues com peso das distorções de guitarra e os trampos muito criativos do baterista, que lembram um pouco de jazz.
Recomendo!
o/
Eu realmente desconhecio o som dessa banda e me surpreendi positivamente.
realmente mto boa… acabei de conhecer, e procurei até achar esse blog com os downloads… valeu mesmo cara, ñ tinha conseguido nenhum cd pela internet ainda…