Escrevi uma crítica no site do Programa Alto-Falante sobre o lançamento recente de um show antigo do Sr. Camaleão, o Ziggy, o Thin White Duke.
Confiram aqui.
26 sábado jul 2008
Posted in Lançamentos
Escrevi uma crítica no site do Programa Alto-Falante sobre o lançamento recente de um show antigo do Sr. Camaleão, o Ziggy, o Thin White Duke.
Confiram aqui.
25 domingo mai 2008
Posted in Lançamentos
No final do ano passado o Radiohead surpreendeu o mundo da música pop com o lançamento inusitado de In Rainbows. Pra começar, ninguém estava esperando um disco do Radiohead e muito menos a forma como ele fora lançado. Sem querer (ou BASTANTE consciente disto, sabe-se lá), o Radiohead acabou por inaugurar uma nova forma de comercializar e divulgar sua obra ao redor do mundo. Soube, também, como lidar com os boatos que sempre são levantados às vésperas de um lançamento e ainda prevenir ao máximo que sua obra caia na rede muito antes do lançamento oficial. Quando menos esperávamos, o site de venda do In Rainbows já estava pronto, e o download que vazou posteriormente já não era tanta novidade porquê, na verdade, todo mundo já tinha feito o mesmo.
A partir de então, é perceptível que alguns artistas de renome têm tomado ações semelhantes para lançar suas obras de uma forma mais instigante e menos imediatista em meio a voracidade e permissividade por informação de nossos tempos. Vejamos abaixo alguns exemplos recentes:
Portishead – ThirdNa verdade, a grande surpresa em torno deste lançamento era exatamente o retorno da banda após 11 anos de absência. O disco que vazou na internet, ao invés de esclarecer, só ajudou a confundir mais: a primeira faixa, Silence, inicia com uma frase em português (isto mesmo!) com preceitos da religião Wicca e é interrompida abruptamente. Além disto, não soava com nada que o Portishead tinha feito há 11 anos atrás. A única coisa reconhecível era a voz trêmula e sofrida de Beth Gibbons, mas que também não dizia muita coisa, já que alguém poderia tentar imitá-la. Esta tática “hoax”, mesmo inconsciente, mostrou-se eficiente: por mais que a banda tivesse afirmado posteriormente que realmente retornaria, e figurava como headliner em festivais importantes ao redor do globo, poucas pessoas se mostravam crentes ao que ouviam nos downloads que encontravam em torrents e soulseeks. Felizmente, a banda realmente retonara em grande forma e com um álbum tão perturbadoramente belo, melancólico e inovador.
Pra começar, Third é estética e conceitualmente diferente dos discos anteriores. O único vestígio de sample é a frase Wicca em português no começo do disco. O Portishead expandiu seus limites, não ficando mais apenas na definição rápida de “banda de trip-hop”. As músicas passeiam entre o eletrônico, rock e folk, mas em formas imprevísiveis e originais. O foco de influências neste disco indica esta guinada interessante: ao passo que anteriormente o jazz era grande influência, aqui os avôs da música eletrônica e do Krautrock é quem dão as caras. Nota-se muito de Kraftwerk, Silver Apples e Soft Machine nas músicas.
E, de cara, não é um disco de fácil assimilação e soa, a príncipio, como uma versão rústica, um rascunho diante das orquestrações e do ar grandioso e épico de Dummy e do disco homônimo. Mas constantes audições provam ser uma definição apressada, pois é um disco denso e complexo, desde as texturas de sintetizadores de Nylon Smile, ou o ritmo pulsante entremeado de feedbacks de Silence; ou ainda a transição estranha e bela de folk para um syth pop de The Rip. Third atesta que o Portishead voltou sim, acima de todos os boatos, na tangência de qualquer hype imediato, vindo de frente com um som denso e complexo, mas não menos belo, sensual e cativante.
Avaliação: 5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?exytwxxmrcg
Raconteurs – Consolers of the LonelyInexplicavelmente, os Raconteurs passaram batidos dos olhares da grande imprensa na época da gravação do seu segundo albúm. E tomaram esta grande imprensa de surpresa quando anunciaram que em menos de uma semana lançariam Consolers of the Lonely. Só a partir deste frisson, logo às vésperas do lançamento inesperado é que as cópias começaram a vazar na internet. Mas foi uma manobra ousada e que conseguiu atiçar a imaginação dos fãs e antecipar a ânsia para ver os Raconteurs em turnê novamente (tanto que foram requisitados para os principais festivais após o lançamento do disco). O disco também surpreende, sendo uma empreitada mais concisa e bem trabalhada que o ótimo debut da banda, Broken Boy Soldiers.
Ao passo que o primeiro disco é uma clara homenagem ao pop e rock dos anos 60, Consolers of The Lonely avança uma década, fazendo homenagens rasgadas a bandas como The Who, Free, Jethro Tull, Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers e outras que flertavam com Hard Rock, Folk, Americana e Country. Este disco, talvez pela verve mais “hard”, é comandado por Jack White. É engraçado notar como Brendan Benson soa como White e fica quase indiscernível saber quem é quem em cada música. Outro fato digno de nota é o maior entrosamento da banda e a proeminência da seção rítmica, algo que era menos ousado no primeiro disco. As canções aliam a habilidade de construir riffs precisos e grudentos de White com a habilidade de compor melodias fáceis assobiáveis de Benson. O Raconteurs neste disco soa realmente como uma banda, não como uma reunião de quatro amigos apenas para se divertirem. Os destaques vão para o Folk com toques celtas de Old Enough, a imediata Hold Up, a bela balada Carolina Drama e o Folk com Hard Rock de These Stones Will Shout.
Quem dera que toda banda que anunciasse seu disco em tão pouco tempo nos brindasse com uma obra tão divertida.
Avaliação: 4 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?4c54mwwnxv9
Nine Inch Nails – The SplitTrent Reznor consegue ainda surpreender fãs e críticos. Confundir, aliás, é o melhor verbo. Nunca sabemos qual direção artística, qual conceito virá em seus álbuns, se irá fazer turnê dos seus discos. Enfim, o homem é uma incógnita. Após o inesperado apelo popular conseguido com Downward Spiral em 1994, Reznor quis se superar e fazer uma obra tão instigante, complexa e bem trabalhada quanto seus discos anteriores. Enclausurou-se por muito tempo e lançou o confuso e disperso The Fragile. Não se sabe se pela receptividade fria da mídia ou por um bloqueio criativo, Reznor sumiu da mídia novamente e quando retornou seis anos depois, nos apresentou o apenas mediano With Teeth.
Poderíamos apressadamente indicar que o Nine Inch Nails seria mais uma daquelas bandas que seriam lembradas apenas por suas glórias (datadas) do passado e que Reznor continuaria a produzir trabalhos medíocres para seus fãs mais ardorosos. Pois bem, 2007 foi o ano da reviravolta: o Nine Inch Nails surpreende com o lançamento difuso e misterioso de Year Zero, um disco conceitual que conta sobre uma sociedade de pessoas passivas, que são controladas por ingerirem água contaminada com uma droga que os doma. Apesar de ser um disco conceitual, é uma empreitada muito mais concisa que The Fragile e o melhor disco desde Downward Spiral. Coincide aí o fim do contrato do NIN com a gravadora Interscope/Universal e o impulso criativo e produtivo de Reznor eclode: lança de forma independente em 2008 o exercício livre experimental de Ghosts I-IV e, menos de quinze dias depois, presenteia seu público fiel (e dá uma banana para gravadoras e suas estratégias de marketing e divulgação) com The Slip, um disco completo e disponibilizado gratuitamente no site da banda.
É surpreendente ver, também, que esta estratégia suicida comercialmente não é nenhuma brincadeira com quem aprecia a música da banda. O disco não possui nenhuma inovação ou mudança estética radical. Mas isto não tem nada de ruim, pelo contrário: é um disco convencional do Nine Inch Nails, que tenta reunir as melhores características que a banda apresentou ao longo de sua carreira. Encontra-se de tudo, desde a transição súbita de climas sombrios para um ataque furioso em 999,999 para 1,000,000, ou a balada sussurada (tal qual Hurt) de Lights In The Sky, uma música instrumental (Corona Radiata) e o estranho synth pop dançante (alguém se lembre de Closer?) de Demon Seed para encerrar o disco. The Slip é um bom disco, e que tem como trunfo maior encorajar várias bandas de renome a tomarem o corajoso rompante de se lançarem de forma independente, sem medo e sem amarras criativas. Alguns chamam isto de suicídio, eu chamo de renascimento.
Avaliação: 4 de 5
Download: http://theslip.nin.com/
Elvis Costello & The Imposters – MomofukuAntes da divulgação de um novo álbum, Elvis Costello declarava insatisfação com a indústria musical e como as músicas eram “consumidas” nos tempos atuais. Reclamava que ninguém respeitava mais o conceito de álbuns e que ele não via mais sentido em lançá-los. Pouco tempo depois, foi anunciado no site do seu selo Lost Highway que o disco novo seria lançado apenas em LP, e quem o adquirisse receberia um cóigo para download das músicas em MP3. Quando anunciou Momofuku, Costello volta atrás nos meios de lançamento do disco e também inclui o CD como forma de divulgação.
Ninguém sabe ao certo a escolha pelo nome Momofuku. Seria uma homenagem ao recém falecido Momofuku Ando, criador do Cup Noodles e do miojo (Costello dizia publicamente ser um apreciador da iguaria)? Ou seria, além disto, uma referência a forma como o disco foi rapidamente composto, gravado e lançado? Ou ainda uma ácida crítica à indústria cultural atual, que se apressa em criar novos salvadores da música pop e, como um prato de miojo ou um copo de Noodles, são digeridos rapidamente e descartados, para que novos miojos e Noodles sejam colocados diante de nós novamente?
O fato é que Momofuku nos apetece exatamente em sua frivolidade. É um disco que não apenas foi concebido e preparado rapidamente, mas que também é digerido com facilidade. Sem se perceber já se está ouvindo a grudenta faixa que conclui o álbum, Go Away, e fica a vontade de ouvir tudo de novo. Mas há outras faixas igualmente saborosas: o bolero com fuzz de Harry Worth, a psicodelia contida de Mr. Feathers, o encontro inusitado de Boogie com Punk de Stella Hurt, ou o folk dançante de Drum and Bone. Não sabemos no final das contas qual era o propósito de todo conceito (será que há algum?) que Costello quis para este disco, mas o que se tira no final das contas é que Momofuku é uma receita fácil, mas das mais saborosas para este tempo de miojos e Noodles a varejo do mercado fonográfico.
Avaliação: 4 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?nfipx5rcomp
20 terça-feira mai 2008
Posted in Lançamentos
Apesar do nome do disco (e da música que o conclui) fazerem referência à lutas nas montanhas, não há tom sério ou discussões políticas sendo levantadas pelas irmãs Deal. Pelo contrário. Não há novas guinadas, nem experimentações: apenas Breeders fazendo o que os Breeders sempre fizeram, e muito bem: uma variante mais pop e menos paranóica dos Pixies. No entanto, o tom que domina este disco é de certa melancolia, o que difere bastante do divertido alto-astral de Last Splash ou da bagunça esporrenta de Pod. Mesmo as músicas mais festivas, como a pegajosa “Bang On”, carregam um ar pesado, denso, que se assemelham mais a um final de festa que ao ápice dela.
O álbum não possui hits imediatos. Esqueça encontrar uma nova “Cannonball” ou “Safari”. Kim Deal não perdeu seu toque de fazer gemas pop em meio a feedbacks e distorções, mas composições como “Overglazed”, “Walk It Off”, “Istambul” não possuem a vivacidade de outrora que nos prenda à elas na primeira audição. Mas quando se consegue quebrar esta couraça inicial (talvez pelo estranhamento deste “mood” alheio aos Breeders) percebe-se a qualidade e concisão do disco.
Avaliação: 3,5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?caxszz4ytiv
20 terça-feira mai 2008
Posted in Lançamentos

A Austrália é um lugar estranho. O que se espera normalmente de um artista com uma discografia consideravelmente regular, que possui respeito da crítica, fãs fiéis e se encontra nos seus 50 anos de idade? Para os padrões normais, diríamos que ele continuaria fazendo o que sempre fez, entraria no “piloto automático” da carreira até que um dia decidisse se aposentar e manter sua reputação ilibada. Mas Nick Cave não é um artista normal: quando menos poderíamos imaginar, o encontramos no auge de sua carreira, tanto na quantidade quanto na qualidade de suas obras. Após o maravilhoso e opulento Abbatoir Blues / Lyre of Orpheus, Cave contribuiu para trilhas de cinemas, aflorou um alter-ego punk psicótico no seu projeto paralelo Grinderman (que contava com Warren Elis, Martyn P. Casey e Jim Sclavunos, também do Bad Seeds) e chega em 2008 com o divertidamente perverso Dig!!! Lazarus, Dig!!!
O que se percebe ao longo do disco é que Cave estava em seu alter-ego punk psicótico de Grinderman e pára no meio do caminho de recobrar sua consciência como o bom e velho Cave. Os Bad Seeds acompanham este seu estado piscótico, usando seus instrumentos como se fossem armas brancas em nossa pele, alternando ritmos estranhos, guitarras cortantes, marimbas bizarras, chocalhos e palmas fora de ritmo. Logo na primeira faixa, aliás, logo nos primeiros acordes da guitarra seca de Ellis, entremeada pelos chocalhos e o ritmo estranho e dançante de uma salsa pagã, ouve-se um Nick Cave diferente, provavelmente o mais psicótico, teatral e divertido de toda sua carreira. As temáticas de sempre (amor, religião, assassinatos) estão lá, mas nunca ele abordou isto de forma tão assustadoramente divertida e festiva. Como um padre às avessas, ele inicia a missa (ou a festa negra) nos apresentando a Larry (ou Lázaro, como preferirem), que foi ressucitado mas agora não há quem o guie pelo caminho da moral e dos bons costumes. Larry se embebeda, se droga, transa e mata até que volte pra sua cova.
A festa continua em músicas como Today´s Lesson, Albert Goes West ou Lie Down Here (And be My Girl) e só encontra pausa em poucos momentos reflexivos, mas não menos pertubados (e pertubadores) como Night of the Lotus Eaters, Moonland ou We Call Upon the Author. Majestosamente, e não menos sujo, dilacerante e cruel, o disco termina com a balada More News from Nowhere, onde Cave se torna um simulacro demoníaco de Dylan, e conta uma história fantástica de um lugar repleto de fascínoras e prostitutas (um puteiro?) e corações despedaçados. As músicas, no entanto, tem um ar surpreendentemente vivaz, de uma acidez e falsa inocência que há muito tempo não se ouvia. Cave e os Bad Seeds fizeram a trilha sonora perfeita para festas decadentes, sórdidas e vulgares.
Realmente, a Austrália deve ser um lugar estranho.
Avaliação: 5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?ppy0yfwooz5
PS.: De brinde, vai o link do clipe de Dig!!! Lazarus Dig!!!. Tirem suas conclusões.