Stone Temple Pilots – Tiny Music… Songs from Vatican Gift Shop

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É fato que o Stone Temple Pilots sempre foi tratado às margens como mais uma banda que pegou carona na onda grunge e que figurava nas playlists de todo mundo por um estranho sentimento de “guilty pleasure” noventista ou por “one hit wonders” pelo grande clássico Plush. A banda conseguia notícias à época mais pela depreciação às suas músicas, taxadas maldosamente como um Pearl Jam de quinta categoria, e às constantes prisões e rehabs de Scott Wieland do que de qualquer elogio lançado pela crítica especializada. Esta crítica, por outro lado, via na forte influência que o STP recebia do rock de arena dos anos 80 como uma agressão e um retrocesso diante de toda uma cena underground que “negava” o estrelato e as paradas de sucesso.

Enquanto o álbum Core corroborava todas estas conclusões, o disco seguinte, Purple, sinalizava mudanças substanciais no som da banda. Mas foi em Tiny Music… Songs from Vatican Gift Shop que o STP finalmente encontra uma voz distinta, regularidade e qualidade em suas canções. Estranhamos de início, com “Press Play”, a levada diferente da banda. Um ritmo insinuante de soul music com toques jazzísticos entra em fade in e, após pouco mais de um minuto, entra o inconfundível riff cortante de Dean de Leo em “Pop’s Love Suicide”, um boogie grunge pulsante em meio a uma vaga crítica ao mundo pop. Dali em diante nos deparamos com um ecletismo até então desconhecido do Stone Temple Pilots, onde escancaram suas verdadeiras influências, mas deixando marcas próprias de sua criatividade. Encontramos Glam rock (Big Bang Baby), Baladas Pop açucaradas (Lady Picture Show), Rock’s Antêmicos à lá U2 (a belíssima Seven Caged Tigers), Cabaret com Grunge (Art School Girl), Psicodelia com Punk (Trippin’ On a Hole in a Paperheart). Em muitas destas músicas as letras são “impressionistas” demais que chegam ao nível da paródia e do nonsense, mas o que importa no STP não é tanto o conteúdo, mas o “envelope”, e em Tiny Music…, mais do que em nenhum outro disco de sua discografia, a roupagem das músicas são as mais bem idealizadas e acabadas.

Em meio a um cenário totalmente adverso, o STP seguiu em frente e lançou o seu grande disco subestimado, quiçá “O grande disco subestimado dos anos 90”. Ok, utilizar o termo “grande disco” associado ao Stone Temple Pilots também é um exagero sem tamanho, mas talvez aí resida o charme da banda e, principalmente, de Tiny Music… Songs from Vatican Gift Shop: é o de admitir suas deficiências, de conter os ares de grandeza, de colocar em pequenas porções sua reverência às influências mas também o que lhe torna diferente e se posicionar como o melhor “guilty pleasure” no coração de seus desafetos.

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Senha: claveseusouvidos

Moby Grape – Moby Grape

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Moby Grape

A obra do Acaso é imprevisível. Por pequenas obras do Acaso nomes ficam gravados na história justa e injustamente, super ou sub-estimados, enaltecidos ou soterrados. O Acaso colocou os Beatles na mira de Brian Epstein e, em sequência, George Martin. Ele se encarregou de marcar o encontro de Warhol, Lou Reed e John Cale. Ele deu sobrevida ao Mott The Hoople, quando os presenteou com a presença, produção e direção de Bowie para gravar All The Young Dudes. E sadicamente ele juntou os integrantes do Moby Grape para o disco homônimo e os amaldiçou dali em diante.

A banda se formou em Setembro de 1966 quase que ocasionalmente, adicionando integrante por integrante – iniciou com o guitarrista Jerry Miller juntamente com o Baterista Don Steveson, “esbarraram” em suas tours com o baixista Bob Mosley; Peter Lewis, outro guitarrista, entrou depois e, por fim, o ex-baterista da Jefferson Airplane, agora guitarrista, Skipe Spence dá suas caras. Forma-se a lendária, trágica e controversa Moby Grape, em sua formação clássica e breve. Foram descobertos num show em Sausalito por um produtor da Columbia Records, David Rubinson, que ficou impressionado com o entrosamento e habilidade dos cinco integrantes: “Eles são a melhor banda Americana que eu tinha visto. E eles eram todos grandes compositores!”

E Rubinson estava certo: além de grandes compositores, comprovado pelos créditos diversos nas músicas, eram grandes músicos e todos cantavam, características que tornam músicas como “Mr. Blues”“Lazy Me” tão preciosas, únicas e cativantes.

Numa velocidade surpreendente assinaram contrato com a Columbia Records e se apressaram para gravar o clássico disco de debut. O processo de gravação durou de Março a Maio de 1967, e teria de tudo para ser não apenas o grande clássico do cenário rock de San Francisco (que contava com pesos pesados como Janis Joplin and The Big Brother & The Holding Company, The Grateful Dead e Jefferson Airplane), mas o mais bem sucedido comercialmente. Seria, se não começasse aqui um dos seus desastres, neste caso comercialmente. A Columbia Records ficou tão estupefata com tamanha qualidade do disco, que sacrificou a vendagem e permanência nos charts lançando simultaneamente cinco singles do LP homônimo. Além disto, problemas internos começaram a minar o potencial criativo da banda e a criar dissidências para os discos subseqüentes, nunca conseguindo atingir a qualidade, interação e unidade deste disco. Os problemas com drogas também sacrificaram a unidade da banda, a níveis de integridade física (um dos episódios reporta que Spence atacou o quarto de hotel de Jerry Miller com um machado de incêndio após ter tomado LSD, na época da gravação do segundo disco da banda, Wow).

Podemos constatar que estes eventos realmente afetaram a todos da banda nos discos subseqüentes, mas seria leviano apontar estes problemas sem ressaltar o monstro de disco que fizeram em sua estréia, feito que certamente seria difícil de se superar mesmo se estivessem todos no topo de suas formas dali em diante. Ao ouvirmos o disco em seqüência, começando pela propulsiva “Hey Grandma”, passeando pelas guitarras entrelaçadas de “Omaha”, a psicodelia descabida e absurda de “Naked If I Want to” ou ainda as belas harmonias vocais de “8:05” ou “Sitting by The Windows” até finalizar no amálgama do disco, “Indifference”, percebemos que mais que ótima interação, habilidade, inteligência e ótimas composições, encontramos certa mágica que faz tudo se mesclar bem e se amplificar de forma surpreendente.

Se o Acaso e sua série de pequenos desastres acabaram por gradativamente tirar a banda das lentes do estrelato, do topo das paradas, do foco do público, a História foi mais gentil com a banda neste ínterim, dando hoje em dia o status de grande tesouro perdido dos férteis anos 60, uma relíquia da mistura mais bem sucedida de psicodelia, rock’n’roll, folk, country, R&B que se pode tirar do cenário musical de San Francisco no auge do Flower Power.

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Senha: claveseusouvidos

Neil Young – On The Beach

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O começo dos anos 70 ainda respiravam pela esperança de paz, amor, fraternidade e juventude do auge dos 60, mas dava sinais de desgaste diante de uma utopia que parecia muito bonita, ensolarada e contagiante, mas inócua no sentido prático. A ressaca moral estava no ar, ainda sem tomar uma forma concreta para a maioria das pessoas, mas alguns artistas, conscientemente (ou não), colocavam em suas obras marcas do cinismo, pessimismo e incertezas da nova década. John Lennon berra desesperadamente por sua mãe, por um alento, e vocifera que o sonho acabou. Em cinco anos, Bowie acreditava que o mundo, ou tal como o idealizávamos, iria acabar e em certa medida ele estava certo. Sly Stone canta dopado e não consegue esconder que as coisas não irão bem na década que começa – quando ele sussurra em falsete “You Caught Me Smiling” a impressão que se tem é que é uma surpresa encontrá-lo sorrindo. Até os Kinks trocaram o bom humor e a alegria nostálgica dos tempos de Village Green Preservation Society por um humor cínico agridoce em seu Lola Vs. The Powerman.

O período de 1968 a 1972 não poderiam ser melhores para Neil. Com a aclamação pela critica e público de discos como Everybody Knows This is Nowhere, After the Goldrush, Deja Vú (com Stills, Nash e Crosby) e o megahit Harvest que consolidou seu status no estrelato, parecia que nada poderia parar Neil Young. Nada, exceto os abusos que só o estrelato e a vida incessante na estrada poderiam acarretar: doses cavalares de bebidas, cocaína e heroína foram minando Young e seus companheiros de estrada, o que culminou com a morte de Danny Whitten, líder do Crazy Horse, e Bruce Berry, roadie que faleceu na malfadada turnê que resultou no controverso disco ao vivo Times Fade Away. Ao lado deste álbum, Young realizou mais duas obras neste período turbulento da carreira. Enquanto Times Fade Away é um registro duma vida em turnê decadente, bêbada e trôpega, distante do trabalho primoroso e bem retocado de Harvest, Tonight’s The Night, por sua vez, é a voz de lamento de um homem perdido, no fundo do poço, e que canta suas desgraças recentes e sua vida pregressa da forma mais direta, aberta e crua que se pode ter notícia. On The Beach é a tentativa de cicatrizar as feridas abertas e dar a volta por cima.

Aparentemente é um disco mais terno e mais ensolarado que os anteriores, mas a instrumentação mais concisa e sóbria apenas esconde a quantidade de ressentimento, melancolia e farpas das letras. A cada audição do disco vem à tona o real peso de cada música. “Walk On” pode ser entendida como uma contra-resposta à crítica desferida pelo Lynyrd Skynyrd em “Sweet Home Alabama”, mas, além disto, como uma auto-afirmação de Neil Young que ele deve levantar a cabeça, não esquecer o que passou, mas seguir em frente. “See The Sky About The Rain”, música composta já há mais tempo, adquire um novo valor na interpretação sentida e emocionante de Young. No disco podemos ouví-lo encarnar a persona de Charles Manson e atacar os artistas de Laurel Canyon em “Revolution Blues”, fazer escárnio do sucesso e glória em “For The Turnstiles” e “Vampire Blues” e, no final, eclodir na sequência de músicas mais tristes que se pode ter notícia em sua discografia: “On The Beach”, “Motion Pictures” e “Ambulance Blues”. Os arranjos esparsos e econômicos destas músicas só realçam o sentimento de solidão e ruminação das letras. Quando ele canta “Eu preciso de uma multidão de pessoas, mas não consigo encará-las no dia-a-dia…” em “On The Beach”, há consonância direta com “Bem, aquele pessoal, eles acham que já têm de tudo/ Mas eu não vou comprar, vender, emprestar ou trocar nada que tenho para ser como um deles…” de “Motion Pictures” e com trechos como “Então, todos vocês, críticos, sentados aí sozinhos / Vocês não são melhores do que eu pelo que já mostraram…” de “Ambulance Blues”.

Neil Young, num breve período de seis anos, encontrou o céu e o inferno, e “On The Beach” é o seu purgatório, ou o confessionário em que toda a juventude setentista iria se identificar diante daqueles tempos estranhos que os atropelavam. Mais que isto, fez uma obra atemporal dos momentos em que temos que encarar de frente nossos demônios interiores, nossas marcas e cicatrizes mais profundas e saírmos fortalecidos, tal qual nas linhas finais de “Motion Pictures”: “Bem, todas aquelas manchetes, elas me aborrecem agora / Estou preso dentro de mim mesmo profundamente / mas eu ficarei livre de alguma forma.”

Download: http://www.mediafire.com/?lu0tg5ghxuj

Iggy and The Stooges – Raw Power

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Em resumo, pode-se dizer que esta é a trilha sonora do apocalipse. Ou ainda, o retrato do início do declínio de uma banda que naturalmente estava fadada à auto-destruição. Ou, se preferirem, a moldura que exibe a mente tortuosa, insandecida e genial de Iggy Pop no limiar da navalha da demência que o jogaria futuramente num manicômio. Raw Power é direto, virulento, perigoso como poucos discos na história da música pop ousaram ser. Cada riff de James Williamson, cada linha do baixo de Ron Asheton, cada batida de Scott Asheton soam como uma briga de gangues, um ataque de cavalaria, um batalhão de choque. E no olho do furacão está Iggy, como um lunático com ares de grandeza que age de forma errática, mas meticulosamente errática.

Por uma obra do destino este disco chegou a sair: a banda estava prestes a se esfacelar (o que efetivamente ocorreu pouco depois de lançado); o baixista original, Dave Alexander, saira da banda juntamente com Ron Asheton, guitarrista original; e Iggy estava se afundando mais nas drogas e, por consequência, na auto-destruição física e mental. Com a ajuda de David Bowie, a banda se reúne, mas com mudanças cruciais na sua formação: Ron Asheton é “rebaixado” a baixista e recrutou James Williamson para assumir seu posto. Estes ingredientes são a base para o coquetel molotov disparado contra nosso ouvidos ao longo de pouco mais de meia hora de sexo, drogas, violência e rock´n´roll.

Logo no ritmo galopante inicial de “Search and Destroy”, já é notável a tensão que se criou entre os integrantes: ao passo que os riffs de Williamson cortavam certeiros e afiados, Asheton tocava seu baixo quase como uma guitarra tentando impedir o avanço de seu rival. Iggy berra, sussurra, geme em meio aos feedbacks: “I’m a street walking cheetah with a heart full of napalm/ I’m a runaway son of the nuclear A-bomb…” enquanto Scott se encarrega de desferir, como um primata insandecido, um ritmo martelado, repetitivo e simples de bumbo, caixa e prato. Segue-se tortuosamente por “Gimme Danger”, a balada do disco. Isto não significa que há alívio no som que se ouve: o violão seco agride tanto quanto a guitarra, e a voz de Iggy entra cheia de lascívia, num dos versos mais ambíguos que se tem notícia: “Gimme danger little stranger/And I feel with you at ease/Gimme danger little stranger/And I feel your disease”. E quando a música atinge seu ápice, se transfigura num pesadelo hedonista, prazer e morte lado a lado. A tônica do disco se mantém com petardos agressivos como o proto-punk sarcástico de “Your Pretty Face Is Going To Hell”, o blues drogado de “I need Somebody”, passando pelo punkabilly “I-saw-her-standing-there-tocada-no-inferno” de “Shake Appeal” até culminar na afetada “Death Trip”, um tratado da psicodelia setentista, onde o vício, a paranóia e o desespero sobrepujam os escassos momentos de prazer.

Um assunto controverso que sempre é colocado em pauta quando se fala sobre Raw Power diz respeito à sua mixagem e produção. A vontade de Iggy, na época, era ficar a cargo destes aspectos técnicos. Os executivos da empresa de Bowie, MainMan, colocaram a condição que Bowie cuidasse disto para que o disco fosse comercializado. Iggy refutou de início, mas cedeu a mixagem e cuidou da produção, exceto por Search and Destroy, em que cuidou de tudo. A grande questão é que houve muitas críticas, inclusive de Iggy, sobre o som fraco e inofensivo da versão que chegou ao grande público. Diversos bootlegs circularam ao longo dos anos sendo creditados como “a versão verdadeira” ou “a versão de Iggy Pop”. Apenas recentemente podemos ter a chance de ouvir, pelo menos em teoria, o que seria o som real de Raw Power. Sob a supervisão de Iggy, Raw Power foi remasterizado e remixado como deveria soar ao ouvido de todos: uma banda que exalava sangue e sexo, uma agressão em tom de espetáculo sintetizado no rock’n’roll mais cru, alto e grotescamente violento que se pode ter notícia.

Download: http://www.mediafire.com/?azil8z4jj1z

Meu iPod mandou eu escolher estes daqui – 2

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  1. How About You? – Frank Sinatra – Songs for Swingin’ Lovers (Como o saudoso olhos azuis, também gosto de uma música de Gershwin… E você?)
  2. I Don´t Mind – The Who – The Who Sings My Generation (O disco de estréia do Who é uma rendenção apaixonada e poderosa ao R’n’B norte-americano e esta cover de James Brown é o melhor exemplo do disco. Notem o quanto Roger Daltrey tenta soar como o Godfather of Soul.)
  3. Shadrach – Beastie Boys – Paul’s Boutique (Esta música é uma das melhores formas de mostrar como samples podem resultar em exuberância e extravagância comprimidos em menos de 4 minutos. Milhares de referências simultâneas fazendo uma música única.)
  4. That’ll Be The Day – Buddy Holly & The Crickets – The “Chirping” Crickets (A síntese de uma música pop perfeita: uma melodia assobiável, refrão pegajoso, solo conciso e direto. Não é à toa que os Beatles fizeram cover desta música em suas apresentações para a rádio BBC)
  5. Light Nights- Paul Weller – 22 Dreams (Este belíssimo Folk com toques Celtas é o cartão de entrada para a grande viagem caleidoscópica do disco mais recente de Paul Weller.)
  6. Oh, How To do Now – Monks – Black Monk Time (a mais estranha das músicas de uma das mais bizarras bandas que já surgiram no universo pop. É quase um mantra perverso repetitivo, com guitarras cortantes em meio ao baixo pulsante e um órgão toscamente tocado pelos avôs de Jon Spencer Blues Explosion e toda a cena de rock garageiro underground. Detalhe: os integrantes se vestiam de monges nos shows!)
  7. Lazy Me – Moby Grape – Moby Grape (uma das várias pedras preciosas que compõem um disco clássico e subestimado dos anos 60.)
  8. White Winter Hymnal – Fleet Foxes – Fleet Foxes (O disco de estréia desta banda americana é uma coleção de folks pastorais, vocais que passeiam entre o gospel e as harmonias vocais à lá Beach Boys e climas etéreos. Esta música é a melhor representação destas características.)
  9. I’m Not Your Stepping Stone – Paul Revere and The Raiders – Midnight  Ride (um belo exemplar de rock de garagem sessentista que infelizmente ficou soterrado na história. Quero ver quem me punirá por este ato de necrofilia após ouvir esta preciosidade.)
  10. Money Won’t Change You – Aretha Franklin – Lady Soul (uma crítica ácida e bem-humorada de relacionamentos amorosos feita em um funk cheio de energia e, como sempre, com um vocal poderoso e magistral da grande diva do soul.)

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Discografia Radiohead

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De uma banda inócua de Britpop a inovadores da música pop. Ninguém que ouvisse o pálido Pablo Honey em 1993, ano em que o Grunge ainda ditava as cartas, poderia imaginar que aqueles ingleses esquálidos e estranhos pudessem ser os líderes dos novos caminhos da música como poucos em nosso tempo. Apesar de terem Thom York como líder e principal compositor, Johnny e Colin Greenwood, Phil Selway e Ed O´Brien são figuras chave na concisão e avanços que a banda vem apresentando em quase vinte anos de existência. É interessante observar neste interím as mudanças, ora amenas, ora radicais que o quinteto nos brindou:

 

Pablo Honey – 1993

Um debut mediano, que ao envelhecer só realça as disparidades em relação ao corpo da obra do Radiohead. Felizmente, deixa patente as qualidades que veríamos depois, como as linhas de três guitarras que aumentam a angústia de “Blow-Out”, a alternância dos sussurros ao ataque feroz de “Creep”, ou ainda, a beleza disforme de “Stop Whispering”. Serve mais para os fãs entenderem (ou não) a evolução da banda.
Avaliação: 3 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?z4esmuzedwz

 

The Bends – 1995

O mundo (ou, num primeiro momento, a Inglaterra) foram tomados de assombro quando se depararam com The Bends. Ninguém conseguia associar este disco àquela banda que fez o simples Pablo Honey. The Bends não é apenas um clássico do rock como também um dos melhores discos dos anos 90. Seja pela interação da banda, seja pela inspiração de Thom Yorke, aqui o Radiohead mostra uma de suas faces. É um Radiohead que ainda bebe de suas influências, demarcadamente o noise-rock dos Pixies, o rock antêmico de arena do U2 e o folk e indie-rock do R.E.M, mas com tamanha personalidade e habilidade que estas influências só se tornam aparentes depois de diversas audições. Os hits (ou potenciais hits) são até difíceis de demarcar, como o início grandioso de “Planet Telex”, passando pela beleza incômoda de “High and Dry”, a ironia pixieana de “My Iron Lung”, o ataque nervoso anti-suicídio de “Just” ou o final épico e triste de “Street Spirit”.
Avaliação: 5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?gwzzmqdngbz

 

Ok Computer – 1997

Os críticos respeitavam, a quantidade de fãs aumentavam. O que fazer? Qualquer banda em sã consciência faria um The Bends, parte 2 e agradaria a todos, ou pelo menos os fãs. Mas o Radiohead não estava em sã consciência. Muito pelo contrário, a vida moderna, informatização crescente, internet, globalização estavam os oprimindo e deprimindo. O desespero reinava. E assim, nasce Ok Computer. Assim como não se notava (ou não eram óbvios) rastros do Pablo Honey em The Bends, o mesmo ocorre em Ok Computer. Desde o ar etéreo das guitarras de “Let Down”, aos teclados densos de “Exit Music”, ou às mudanças de tempo abruptas de “Paranoid Android”, o que se observa é uma outra banda que nos brinda com um testamento de “rock moderno” ou um rock para os novos tempos. Seja o que for, o Radiohead consolidou sua marca como uma banda inovadora e distinguiu sua voz diante das demais.
Avaliação: 5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?1ejhhdqkjnm

 

Kid A – 2000

Ninguém esperava uma guinada brusca como foi o Radiohead nos anos 2000. Aliás, ninguém estava preparado para algo como Kid A no universo pop. Um disco de rock que emulava eletrônico? Ou um disco de eletrônico que atacava como rock? Isto é uma voz ou um sintetizador? Estas dúvidas pairavam (e ainda pairam) a cada audição do disco. Uma coisa disforme, sem pé nem cabeça, sem começo, meio e fim, sem músicas (seriam aquilo músicas?) discerníveis, exceto por breves pausas como em “How to Disappear Completely”. O Radiohead levava seu som a outros patamares, meio que para se desafiar, meio que para desafiar a todos, críticos, fãs de longa data, iniciados. É como se conseguisse ouvir em cada música ressoar “Aguentam ouvir isto? E isto?”. Ainda hoje não é um disco fácil de se assimilar, mas ao se penetrar em seu mundo, Kid A mostra seu valioso crédito à música do novo milênio.
Avaliação: 4,5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?dybnm5amymx

 

Amnesiac – 2001

A primeira impressão que se tem ao ouvir Amnesiac é que são sobras de gravação do Kid A. Em parte esta afirmação é verdade, mas quem dera que toda banda conseguisse lançar um disco de Lados B e sobras de gravação deste naipe. O melhor é pensar Amnesiac como uma extensão de Kid A, ou ainda, uma versão menos paranóica e mais palatável do seu irmão mais velho. Talvez devido à pressa do lançamento é um disco que conta, no conjunto, de canções menos inspiradas, como “Pull/Pulk Revolving Doors” ou “Like Spinning Plates”. Além disto, estas músicas excedem tanto na redenção à música eletrônica que quase chegam ao nível da paródia. No entanto, pérolas como “Pyramid Song”, “You and Whose Army?”, “Knives Out” e “I Might Be Wrong” asseguram a qualidade deste bom disco.
Avaliação: 4 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?ixh2a3tx440

 

Hail to The Thief – 2003

Neste ponto o Radiohead já era referenciado no universo pop como inovadores, revolucionários e estes termos que os grandes especuladores de hype adoram lançar sobre os artistas. Com esta premissa, muita expectativa foi criada para qual direcionamento a banda iria tomar depois do monstro disforme e paranóico de Kid A e seu irmão menos perturbador Amnesiac. Hail to The Thief vaza na internet e o que se vê? Mais do mesmo. Não é que o disco seja uma extensão de Kid A, ou uma reciclagem de velhos clichês (ou, para não ferir os fãs-freaks, um “revisionismo da carreira”) ou uma tentativa de agradar os dois extremos de fãs que eles conseguiram angariar (aqueles que reverenciam a fase clássica, até OK Computer e aqueles que veneram a fase experimental, que parte do OK Computer em diante). Bem, na verdade, é isto tudo mesmo. Não há nada de mal nisto, desde que a banda tenha um conjunto de canções fortes o bastante para que esta requentada de idéias seja, ao menos, saborosa. E Hail to The Thief falha exatamente nisto. É um bom disco, mas que vai de extremos do sublime (o folk pertubador de “Go To Sleep”, o punk-rock-encontra-gospel de “2+2=5”, a beleza éterea e tensa de “There, There” ou a sujeira descompassada de “Myxomatosis”) ao indigesto (o exagero no eletrônico de “Backdrifts” e “The Gloaming” ou o choro insosso de “Scatterbrain”). Independente dos hypes, inovando ou não, “Hail to The Thief” acabou sendo um desapontamento.
Avaliação: 3,5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?l2iojzoczbj

 

In Rainbows – 2007

O Radiohead estava num hiato consideravelmente grande para o lançamento de material novo que as pessoas praticamente não esperavam o lançamento de In Rainbows. Muito menos da forma como o disco foi lançado: de forma praticamente independente, a banda disponibilizou o disco na Internet num sistema de compra de “pague o quanto vc acha que o disco vale”. Além de dar uma banana para as grandes gravadoras, revolucionar a forma de comercialização do disco, o Radiohead volta a velha forma com este belíssimo disco. A banda não apresenta um conjunto de músicas tão forte desde a dupla Kid A/Amnesiac. Ou não soam tão palatáveis desde The Bends ou até mesmo Ok Computer. Na verdade, In Rainbows é o elo perdido entre Ok Computer e Kid A: avançam em experimentações mas investindo em canções que grudam em nossos ouvidos. Inclusive tematicamente saem do eixo depressivo-angustiado-sofrido para algo mais terno, apaixonado e romântico. É o disco onde Thom Yorke mostra uma faceta que não conhecíamos: a de um homem romântico, não apenas um homem oprimido pela sociedade contemporânea. Mesmo momentos de maior tensão, como a agitada “Bodysnatchers” ou o ritmo sincopado de “15 Steps” são cercados por um brilho, uma alegria que não eram comuns ao Radiohead. Em suma, In Rainbows é tudo que Hail to the Thief deveria ter sido e é a credencial de que o Radiohead ainda segue na frente das demais bandas, nos brindando com um disco surpreendentemente belo e instigante.
Avaliação: 4,5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?ncvsjtdokml