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Se enganam aqueles que pensam que Tom Zé é apenas um senhor de 70 anos que foi mero coadjuvante do movimento Tropicalista e que só foi “salvo” por David Byrne por puro exotismo estrangeiro. Tom Zé se formou em música quando a Universidade de Música da Bahia era referência mundial no assunto. Ao mesmo tempo, ele nunca esqueceu suas raízes, de forma alguma. Sua produção ao longo do tempo comprova isto, desde seu disco de estréia em 1968. O regional, o pop e o erudito são seu insumo, e ele regurgita essas referências nas formas mais clássicas/absurdas, tradicionais/pós-modernas, modais/atonais. Ele não se importa com isto, apenas em fazer música (ele deixa o lado chato de análises vãs sobre suas obras com pessoas como eu).

Em 1975, já longe dos holofotes do estrelato alcançado com o prêmio do Festival da Canção de 1968 por São São Paulo e desiludido pela incompreensão do público e da crítica, Tom Zé quase nos priva de desfrutar de um dos mais belos registros da música brasileira, uma verdadeira homenagem às avessas (ou não) ao Samba, uma homenagem ao modo Tom Zé.

Tudo começa com a intrigante capa (o que chamou a atenção de David Byrne no sebo): cordas e arame farpado e Samba em letras capitais. É um convite para um retorno às raízes, à roça propriamente dita, ou um aviso de que será um caminho tortuoso, espinhoso? E assim começa Estudando o Samba: são ambas as coisas, um retorno às raízes da música brasileira, até mesmo antes do Samba como gênero per si e uma viagem que terá percalços pela rota.

Há de tudo, desde a cantiga de roda (Mã), passando pelo maxixe (Vai), pelo samba-canção (Só), choro (Se), bossa nova (A Felicidade), até, se o neologismo me permite, um pós-samba (Toc). Claro que para um estudo não pode faltar um Índice e ele está ali, no final, genialmente (re/des)construindo a obra e o Samba. Permeados nos estilos clássicos que caracterizam o Samba estão as farpas e espinhos da genialidade de Tom Zé, que consegue aliar, às duras penas, pop, erudito e regional. Mas diante desta batalha, salvaram-se todos, o Samba, Tom Zé e o ouvinte.

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