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É fato que o Stone Temple Pilots sempre foi tratado às margens como mais uma banda que pegou carona na onda grunge e que figurava nas playlists de todo mundo por um estranho sentimento de “guilty pleasure” noventista ou por “one hit wonders” pelo grande clássico Plush. A banda conseguia notícias à época mais pela depreciação às suas músicas, taxadas maldosamente como um Pearl Jam de quinta categoria, e às constantes prisões e rehabs de Scott Wieland do que de qualquer elogio lançado pela crítica especializada. Esta crítica, por outro lado, via na forte influência que o STP recebia do rock de arena dos anos 80 como uma agressão e um retrocesso diante de toda uma cena underground que “negava” o estrelato e as paradas de sucesso.

Enquanto o álbum Core corroborava todas estas conclusões, o disco seguinte, Purple, sinalizava mudanças substanciais no som da banda. Mas foi em Tiny Music… Songs from Vatican Gift Shop que o STP finalmente encontra uma voz distinta, regularidade e qualidade em suas canções. Estranhamos de início, com “Press Play”, a levada diferente da banda. Um ritmo insinuante de soul music com toques jazzísticos entra em fade in e, após pouco mais de um minuto, entra o inconfundível riff cortante de Dean de Leo em “Pop’s Love Suicide”, um boogie grunge pulsante em meio a uma vaga crítica ao mundo pop. Dali em diante nos deparamos com um ecletismo até então desconhecido do Stone Temple Pilots, onde escancaram suas verdadeiras influências, mas deixando marcas próprias de sua criatividade. Encontramos Glam rock (Big Bang Baby), Baladas Pop açucaradas (Lady Picture Show), Rock’s Antêmicos à lá U2 (a belíssima Seven Caged Tigers), Cabaret com Grunge (Art School Girl), Psicodelia com Punk (Trippin’ On a Hole in a Paperheart). Em muitas destas músicas as letras são “impressionistas” demais que chegam ao nível da paródia e do nonsense, mas o que importa no STP não é tanto o conteúdo, mas o “envelope”, e em Tiny Music…, mais do que em nenhum outro disco de sua discografia, a roupagem das músicas são as mais bem idealizadas e acabadas.

Em meio a um cenário totalmente adverso, o STP seguiu em frente e lançou o seu grande disco subestimado, quiçá “O grande disco subestimado dos anos 90”. Ok, utilizar o termo “grande disco” associado ao Stone Temple Pilots também é um exagero sem tamanho, mas talvez aí resida o charme da banda e, principalmente, de Tiny Music… Songs from Vatican Gift Shop: é o de admitir suas deficiências, de conter os ares de grandeza, de colocar em pequenas porções sua reverência às influências mas também o que lhe torna diferente e se posicionar como o melhor “guilty pleasure” no coração de seus desafetos.

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Senha: claveseusouvidos

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