IEEE machine – We must use them.

Tags

Pois é pessoal. Tenho que fazer o jabá da minha nova banda, a IEEE machine. E já mostro para vocês, de cara, o nosso disco de estréia por uma major. “We must use them.” é um disco prog-metal-funk experimental, com influências de Wando, Agnaldo Timóteo e Eletroclash.

 

Acreditaram?

 

 

 

Esta capa na verdade é um joguinho que vi no blog Máquina Extraordinária, e caso vocês não tenham nada o que fazer, podem tentar este exercício do mais puro “ócio criativo”:

1) acesse http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random – o título da primeira página aleatória que aparecer será o nome da sua banda.

2) vá pra http://www.quotationspage.com/random.php3 – as últimas quatro palavras da última frase da página formarão o título do seu disco.

3) acesse http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/ – a terceira foto, não importa qual seja, será a capa do seu disco.

Agradecimentos à Isabela da Máquina Extraordinária.

Tom Zé – Estudando o Samba

Tags

 

Se enganam aqueles que pensam que Tom Zé é apenas um senhor de 70 anos que foi mero coadjuvante do movimento Tropicalista e que só foi “salvo” por David Byrne por puro exotismo estrangeiro. Tom Zé se formou em música quando a Universidade de Música da Bahia era referência mundial no assunto. Ao mesmo tempo, ele nunca esqueceu suas raízes, de forma alguma. Sua produção ao longo do tempo comprova isto, desde seu disco de estréia em 1968. O regional, o pop e o erudito são seu insumo, e ele regurgita essas referências nas formas mais clássicas/absurdas, tradicionais/pós-modernas, modais/atonais. Ele não se importa com isto, apenas em fazer música (ele deixa o lado chato de análises vãs sobre suas obras com pessoas como eu).

Em 1975, já longe dos holofotes do estrelato alcançado com o prêmio do Festival da Canção de 1968 por São São Paulo e desiludido pela incompreensão do público e da crítica, Tom Zé quase nos priva de desfrutar de um dos mais belos registros da música brasileira, uma verdadeira homenagem às avessas (ou não) ao Samba, uma homenagem ao modo Tom Zé.

Tudo começa com a intrigante capa (o que chamou a atenção de David Byrne no sebo): cordas e arame farpado e Samba em letras capitais. É um convite para um retorno às raízes, à roça propriamente dita, ou um aviso de que será um caminho tortuoso, espinhoso? E assim começa Estudando o Samba: são ambas as coisas, um retorno às raízes da música brasileira, até mesmo antes do Samba como gênero per si e uma viagem que terá percalços pela rota.

Há de tudo, desde a cantiga de roda (Mã), passando pelo maxixe (Vai), pelo samba-canção (Só), choro (Se), bossa nova (A Felicidade), até, se o neologismo me permite, um pós-samba (Toc). Claro que para um estudo não pode faltar um Índice e ele está ali, no final, genialmente (re/des)construindo a obra e o Samba. Permeados nos estilos clássicos que caracterizam o Samba estão as farpas e espinhos da genialidade de Tom Zé, que consegue aliar, às duras penas, pop, erudito e regional. Mas diante desta batalha, salvaram-se todos, o Samba, Tom Zé e o ouvinte.

Download: http://www.mediafire.com/?gzt5a5iy5by

Discografia Black Keys

Tags

, , , , , , , , , , , , , ,

Os Black Keys podem ser facilmente confundidos como uma corruptela barata dos White Stripes, dada a configuração da banda (basicamente guitarra e bateria). No entanto, uma audição atenta à discografia da dupla Dan Auerbach e Patrick Carney joga rapidamente esta teoria no chão. Ao passo que ambas bandas se baseam nas raízes do blues como ponto inicial para suas composições, os Black Keys se distinguem dos Stripes exatamente por se aterem e respeitarem essas raízes. É um blues de garagem, seco, rústico e gutural, imerso em feedbacks e distorções mas que poderiam muito bem serem executados sem estranhamento na época de Robert Johnson ou Howlin’ Wolf. Logo abaixo está um guia rápido àqueles que quiserem se aprofundar na obra desta ótima subestimada banda do novo milênio:

The Big Come Up – 2002

Um bom disco de estréia, mas que vale mais pela promessa de uma banda mais sólida e confiante no futuro. A produção, ainda muito rústica e suja, compromete um pouco a receptividade imediata da obra. Mas a performance sincera de Dan e Patrick conseguem despertar a atenção e valorizar ótimas músicas como Heavy Soul, I´ll Be Your Man e Yearnin’. Uma curiosidade é a versão blues de “She Said, She Said”, dos Beatles.
Avaliação: 3,5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?nm5cd809jz3

Thickfreakness – 2003

A promessa se consolida neste ótimo disco. A proposta é basicamente a mesma, blues rock de garagem, na sua forma mais primal e direta. Mas a produção de Patrick Carney agora realça o que estava encoberto no excesso de feedback, distorção e sujeira do disco anterior. Mesmo se atendo ao blues, Dan Auerbach supreende de forma imprevísivel a cada faixa, como no ataque raivoso de “Set You Free” ou na balada áspera de “Have Love Will Travel”.
Avaliação: 4,5 de 5
Download:
http://www.mediafire.com/?ypmslomkdxt

Rubber Factory – 2004

Como se ater às raízes de um gênero e ainda soar novo, vivo e atemporal? Rubber Factory é a resposta. Thickfreakness sedimentou a reputação como blueseiros, mas ninguém poderia imaginar o colossal desenvolvimento da banda neste disco. Desde o soturno início de “When The Lights Go Out”, passando pela delicada, mas áspera, balada “The Lengths”, ou ao se ouvir o Indie Rock antêmico de “10 AM Automatic”, os Black Keys criam uma obra concisa, gutural e atemporal. As músicas são tocadas com tamanho fervor e dedicação que até a maravilhosa versão da música dos Kinks “Act Nice and Gentle” soa como se fosse uma composição própria deles. A habilidade e entrosamento da banda é outra característica notável, tanto pelas mudanças precisas de tempo de Carney, quanto pelos criativos riffs desferidos por Auerbach. Carney também impressiona pelo desenvolvimento como produtor: manteve o ar cru e ríspido, mas adicionando sutilezas e novos sons e camadas. Uma pequena obra-prima.
Avaliação: 5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?alknmjjj1gz

Magic Potion – 2006

Diante do sucesso e aclamação da crítica, os Black Keys demonstram nesta obra um certo acomodamento. Não há nada de essencialmente novo, diferenciado, exceto por uma produção um pouco mais polida e adoção de guitarras com sonoridade mais limpa que nos discos anteriores. O disco não é ruim, mas nota-se um certo esgotamento e falta de paixão da banda. Ainda assim, há músicas que competem com o melhor que eles fizeram até então, como o riff nervoso de “Just Got to Be”, a bela balada de “You´re The One” ou o soul-blues de “Just a Little Heat”.
Avaliação: 4 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?yivhutxzy4j

Attack & Release – 2008

Muitas histórias rondavam a próxima obra dos Black Keys. Inicialmente, era um projeto que seria feito em conjunto e em homenagem a Ike Turner. Depois especulou-se sobre outra colaboração bizarra: o disco seria produzido pelo badalado produtor Danger Mouse. O fato é que Ike morreu neste interím e ao se ouvir o disco não se percebe nada tão claro e evidente de uma co-parceria ou uma homenagem velada. Ainda assim, Danger Mouse realmente produziu o disco e, diante da escolha ousada, os Black Keys saíram ganhando: Attack & Release é a obra mais bem acabada da dupla desde o grande “clássico recente” Rubber Factory. Percebe-se claramente a intervenção de Danger Mouse diante da produção ousada. Instrumentos inusitados foram adicionados, a produção polida e ousada prevalece e em vários momentos a guitarra não é o centro das atenções, preferindo-se um clima mais relaxado, ou até mesmo dançante, ao invés dos ataques brutais e guturais de outrora. Mas o que poderia ser um sinal de esgotamento e descaracterização da banda é, na verdade, onde afloram suas virtudes na composição e se percebe realmente a autenticidade como uma legítima banda de blues rock. Destaques para “The Same Old Thing” e suas flautas dissonantes; “Psychotic Girl”, com seu ar surreal ressaltado pelo banjo preguiçoso e cadenciado, o clima estranho e festivo de Oceans & Streams e o belíssimo encerramento com “Things Ain´t Like They Used to Be”.
Avaliação: 5 de 5
Download: http://www.mediafire.com/?ifmztblyadu

Meu iPod mandou escolher estes daqui

Tags

  1. You Make It Easy – Air – Moon Safari (Balada pop perfeita. Karen Carpenter deve sorrir no céu cada vez que alguém ouve esta preciosidade)
  2. Green Machine – Kyuss – Blues for the Red Sun (Se uma corrida de Dragsters no deserto precisasse de uma trilha sonora, esta seria a música)
  3. I Will Possess Your Heart – Death Cab for Cutie – Narrow Stairs (o disco não é grande coisa, mas o tom épico e envolvente desta música nos hipnotiza de tal maneira que não percebemos que a música tem mais de 8 minutos)
  4. Mercy – Duffy – Rockferry (a galesa nos desperta um guilty pleasure com esta saborosa surrupiada de Chain of Fools da Lady Soul Aretha. Musicão para cair na dança)
  5. 999,999 e 1,000,000 – Nine Inch Nails – The Slip (a melhor síntese do Nine Inch Nails em duas músicas: climas sombrios e soturnos seguidos por um ataque furioso de guitarras e sintetizadores densos)
  6. Roly Poly – The Little Willies – The Little Willies (a faixa de abertura do projeto paralelo de Norah Jones é um ótimo cartão de visitas para as homenagens rasgadas aos clássicos do country, americana e bluegrass do disco. Destaque para os ótimos solos de Richard Julian nesta música)
  7. Baltimore – Stephen Makmus & Jicks – Real Emotional Trash (Psicodelia sessentista encontra com progressivo e indie rock. Indigesto? Ouça Baltimore e se surpreenda com esta mistura)
  8. As Strong as Samson – Procol Harum – Exotic Birds and Fruit (uma belíssima balada desta subestimada banda de rock progressivo inglesa)
  9. Stop, Drop and Roll – The Foxboro Hot Tubs – Stop, Drop and Roll!!! (a banda chega chutando tudo e todos com um riff matador, vocais rasgados e uma seção rítmica arrasadora. A faixa ideal para começar uma festa)
  10. Go Away – Elvis Costello & The Impressions – Momofuku (Perversamente Costello coloca esta música no final de seu disco para que “nos obrigue” a ouvir tudo de novo.)

Download da lista: http://www.mediafire.com/?zbw0jzzmxmy

Caiu na rede… é o quê mesmo?

Tags

No final do ano passado o Radiohead surpreendeu o mundo da música pop com o lançamento inusitado de In Rainbows. Pra começar, ninguém estava esperando um disco do Radiohead e muito menos a forma como ele fora lançado. Sem querer (ou BASTANTE consciente disto, sabe-se lá), o Radiohead acabou por inaugurar uma nova forma de comercializar e divulgar sua obra ao redor do mundo. Soube, também, como lidar com os boatos que sempre são levantados às vésperas de um lançamento e ainda prevenir ao máximo que sua obra caia na rede muito antes do lançamento oficial. Quando menos esperávamos, o site de venda do In Rainbows já estava pronto, e o download que vazou posteriormente já não era tanta novidade porquê, na verdade, todo mundo já tinha feito o mesmo.

A partir de então, é perceptível que alguns artistas de renome têm tomado ações semelhantes para lançar suas obras de uma forma mais instigante e menos imediatista em meio a voracidade e permissividade por informação de nossos tempos. Vejamos abaixo alguns exemplos recentes:

Portishead – Third

Na verdade, a grande surpresa em torno deste lançamento era exatamente o retorno da banda após 11 anos de absência. O disco que vazou na internet, ao invés de esclarecer, só ajudou a confundir mais: a primeira faixa, Silence, inicia com uma frase em português (isto mesmo!) com preceitos da religião Wicca e é interrompida abruptamente. Além disto, não soava com nada que o Portishead tinha feito há 11 anos atrás. A única coisa reconhecível era a voz trêmula e sofrida de Beth Gibbons, mas que também não dizia muita coisa, já que alguém poderia tentar imitá-la. Esta tática “hoax”, mesmo inconsciente, mostrou-se eficiente: por mais que a banda tivesse afirmado posteriormente que realmente retornaria, e figurava como headliner em festivais importantes ao redor do globo, poucas pessoas se mostravam crentes ao que ouviam nos downloads que encontravam em torrents e soulseeks. Felizmente, a banda realmente retonara em grande forma e com um álbum tão perturbadoramente belo, melancólico e inovador.

Pra começar, Third é estética e conceitualmente diferente dos discos anteriores. O único vestígio de sample é a frase Wicca em português no começo do disco. O Portishead expandiu seus limites, não ficando mais apenas na definição rápida de “banda de trip-hop”. As músicas passeiam entre o eletrônico, rock e folk, mas em formas imprevísiveis e originais. O foco de influências neste disco indica esta guinada interessante: ao passo que anteriormente o jazz era grande influência, aqui os avôs da música eletrônica e do Krautrock é quem dão as caras. Nota-se muito de Kraftwerk, Silver Apples e Soft Machine nas músicas.

E, de cara, não é um disco de fácil assimilação e soa, a príncipio, como uma versão rústica, um rascunho diante das orquestrações e do ar grandioso e épico de Dummy e do disco homônimo. Mas constantes audições provam ser uma definição apressada, pois é um disco denso e complexo, desde as texturas de sintetizadores de Nylon Smile, ou o ritmo pulsante entremeado de feedbacks de Silence; ou ainda a transição estranha e bela de folk para um syth pop de The Rip. Third atesta que o Portishead voltou sim, acima de todos os boatos, na tangência de qualquer hype imediato, vindo de frente com um som denso e complexo, mas não menos belo, sensual e cativante.

Avaliação: 5 de 5

Download: http://www.mediafire.com/?exytwxxmrcg

Raconteurs – Consolers of the Lonely

Inexplicavelmente, os Raconteurs passaram batidos dos olhares da grande imprensa na época da gravação do seu segundo albúm. E tomaram esta grande imprensa de surpresa quando anunciaram que em menos de uma semana lançariam Consolers of the Lonely. Só a partir deste frisson, logo às vésperas do lançamento inesperado é que as cópias começaram a vazar na internet. Mas foi uma manobra ousada e que conseguiu atiçar a imaginação dos fãs e antecipar a ânsia para ver os Raconteurs em turnê novamente (tanto que foram requisitados para os principais festivais após o lançamento do disco). O disco também surpreende, sendo uma empreitada mais concisa e bem trabalhada que o ótimo debut da banda, Broken Boy Soldiers.

Ao passo que o primeiro disco é uma clara homenagem ao pop e rock dos anos 60, Consolers of The Lonely avança uma década, fazendo homenagens rasgadas a bandas como The Who, Free, Jethro Tull, Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers e outras que flertavam com Hard Rock, Folk, Americana e Country. Este disco, talvez pela verve mais “hard”, é comandado por Jack White. É engraçado notar como Brendan Benson soa como White e fica quase indiscernível saber quem é quem em cada música. Outro fato digno de nota é o maior entrosamento da banda e a proeminência da seção rítmica, algo que era menos ousado no primeiro disco. As canções aliam a habilidade de construir riffs precisos e grudentos de White com a habilidade de compor melodias fáceis assobiáveis de Benson. O Raconteurs neste disco soa realmente como uma banda, não como uma reunião de quatro amigos apenas para se divertirem. Os destaques vão para o Folk com toques celtas de Old Enough, a imediata Hold Up, a bela balada Carolina Drama e o Folk com Hard Rock de These Stones Will Shout.

Quem dera que toda banda que anunciasse seu disco em tão pouco tempo nos brindasse com uma obra tão divertida.

Avaliação: 4 de 5

Download: http://www.mediafire.com/?4c54mwwnxv9

Nine Inch Nails – The Split

Trent Reznor consegue ainda surpreender fãs e críticos. Confundir, aliás, é o melhor verbo. Nunca sabemos qual direção artística, qual conceito virá em seus álbuns, se irá fazer turnê dos seus discos. Enfim, o homem é uma incógnita. Após o inesperado apelo popular conseguido com Downward Spiral em 1994, Reznor quis se superar e fazer uma obra tão instigante, complexa e bem trabalhada quanto seus discos anteriores. Enclausurou-se por muito tempo e lançou o confuso e disperso The Fragile. Não se sabe se pela receptividade fria da mídia ou por um bloqueio criativo, Reznor sumiu da mídia novamente e quando retornou seis anos depois, nos apresentou o apenas mediano With Teeth.

Poderíamos apressadamente indicar que o Nine Inch Nails seria mais uma daquelas bandas que seriam lembradas apenas por suas glórias (datadas) do passado e que Reznor continuaria a produzir trabalhos medíocres para seus fãs mais ardorosos. Pois bem, 2007 foi o ano da reviravolta: o Nine Inch Nails surpreende com o lançamento difuso e misterioso de Year Zero, um disco conceitual que conta sobre uma sociedade de pessoas passivas, que são controladas por ingerirem água contaminada com uma droga que os doma. Apesar de ser um disco conceitual, é uma empreitada muito mais concisa que The Fragile e o melhor disco desde Downward Spiral. Coincide aí o fim do contrato do NIN com a gravadora Interscope/Universal e o impulso criativo e produtivo de Reznor eclode: lança de forma independente em 2008 o exercício livre experimental de Ghosts I-IV e, menos de quinze dias depois, presenteia seu público fiel (e dá uma banana para gravadoras e suas estratégias de marketing e divulgação) com The Slip, um disco completo e disponibilizado gratuitamente no site da banda.

É surpreendente ver, também, que esta estratégia suicida comercialmente não é nenhuma brincadeira com quem aprecia a música da banda. O disco não possui nenhuma inovação ou mudança estética radical. Mas isto não tem nada de ruim, pelo contrário: é um disco convencional do Nine Inch Nails, que tenta reunir as melhores características que a banda apresentou ao longo de sua carreira. Encontra-se de tudo, desde a transição súbita de climas sombrios para um ataque furioso em 999,999 para 1,000,000, ou a balada sussurada (tal qual Hurt) de Lights In The Sky, uma música instrumental (Corona Radiata) e o estranho synth pop dançante (alguém se lembre de Closer?) de Demon Seed para encerrar o disco. The Slip é um bom disco, e que tem como trunfo maior encorajar várias bandas de renome a tomarem o corajoso rompante de se lançarem de forma independente, sem medo e sem amarras criativas. Alguns chamam isto de suicídio, eu chamo de renascimento.

Avaliação: 4 de 5

Download: http://theslip.nin.com/

Elvis Costello & The Imposters – Momofuku

Antes da divulgação de um novo álbum, Elvis Costello declarava insatisfação com a indústria musical e como as músicas eram “consumidas” nos tempos atuais. Reclamava que ninguém respeitava mais o conceito de álbuns e que ele não via mais sentido em lançá-los. Pouco tempo depois, foi anunciado no site do seu selo Lost Highway que o disco novo seria lançado apenas em LP, e quem o adquirisse receberia um cóigo para download das músicas em MP3. Quando anunciou Momofuku, Costello volta atrás nos meios de lançamento do disco e também inclui o CD como forma de divulgação.

Ninguém sabe ao certo a escolha pelo nome Momofuku. Seria uma homenagem ao recém falecido Momofuku Ando, criador do Cup Noodles e do miojo (Costello dizia publicamente ser um apreciador da iguaria)? Ou seria, além disto, uma referência a forma como o disco foi rapidamente composto, gravado e lançado? Ou ainda uma ácida crítica à indústria cultural atual, que se apressa em criar novos salvadores da música pop e, como um prato de miojo ou um copo de Noodles, são digeridos rapidamente e descartados, para que novos miojos e Noodles sejam colocados diante de nós novamente?

O fato é que Momofuku nos apetece exatamente em sua frivolidade. É um disco que não apenas foi concebido e preparado rapidamente, mas que também é digerido com facilidade. Sem se perceber já se está ouvindo a grudenta faixa que conclui o álbum, Go Away, e fica a vontade de ouvir tudo de novo. Mas há outras faixas igualmente saborosas: o bolero com fuzz de Harry Worth, a psicodelia contida de Mr. Feathers, o encontro inusitado de Boogie com Punk de Stella Hurt, ou o folk dançante de Drum and Bone. Não sabemos no final das contas qual era o propósito de todo conceito (será que há algum?) que Costello quis para este disco, mas o que se tira no final das contas é que Momofuku é uma receita fácil, mas das mais saborosas para este tempo de miojos e Noodles a varejo do mercado fonográfico.

Avaliação: 4 de 5

Download: http://www.mediafire.com/?nfipx5rcomp

Led Zeppelin I

Tags

Qual a importância do primeiro disco do Led Zeppelin? Ao “re-revisar” (isto existe?) a discografia dos ingleses, eu parei para pensar sobre isto. Em termos históricos e em comparação com os discos subseqüentes da banda eu afirmo: nenhuma.

Antes que eu seja atacado, não estou entrando no mérito da qualidade do disco, mas estou falando em termos de impacto, inovação, influência e originalidade. O Led Zeppelin, pra valer, começa no segundo disco, fazendo um tratado (ou um manual, como preferirem) do Hard Rock e Heavy Metal; depois eles viajaram (fisica, mental e espiritualmente) ao interior da Inglaterra e misturaram Hard Rock, Psicodelia e Folk de maneira surpreendente; e, finalmente, completando a “Quadrilogia” (de novo pergunto: isto existe?) sintetizam todas estas forças num monolito denso e definitivo do que seria (ou deveria ser) o Heavy Metal.

Voltemos ao Led Zeppelin I: é um grande disco, um clássico do rock, mas ainda assim com os pés fincados nas raízes e tradições do Blues. Não há nada de mal nisto, mas nada essencialmente surpreendente ou inovador. O Power Pop de “Good Times Bad Times” já era conhecido em bandas como o Who ou o Small Faces. Os Stooges, Velvet Underground e MC5 mostraram a cartilha do Proto-Punk antes de Communication Breakdown. O Iron Butterfly foi o responsável por drogar o Hard Rock com seu mamute lisérgico “In-A-Gadda-Da-Vida”, o que rivalizaria com Dazed and Confused. Hard Blues? Ouçam o disco de estréia do Blue Cheer que saiu um ano antes.

Nem as homenagens eram originais: o ex-companheiro de Yardbirds, “um tal” Jeff Beck, já tinha feito sua versão igualmente primorosa de You Shook Me um ano antes. O Fairport Convention (que foi, inclusive, uma influência do Led Zeppelin) era uma banda que revisitava o folk inglês com propriedade, pra quê então “Baby, I´m Gonna Leave You”? E o que dizer da genial apropriação indébita que é How Many More Times? Ouçam Smokestack Lightning (de Muddy Waters) na versão do Yardbirds, e tirem suas conclusões.

Agora, se eu apenas detratar o disco, sem enxergar a sua verdadeira força, eu seria um tolo que acordou com o pé esquerdo e com vontade de chutar as “vacas sagradas” da história da música pop. Led Zeppelin I não inova, mas é um belo exemplo de como uma banda deve começar sua carreira: com um disco conciso, que mostra suas influências, presta suas devidas homenagens e deixa margens de que aquilo ainda é só o começo. E a banda faz isto com tamanha paixão, competência e unidade que acreditamos piamente que até o que é uma cópia descarada ou uma homenagem velada são realmente de propriedade destes geniais farsantes.

Download: http://www.mediafire.com/?ljvbo5jczhg

PS.: este download tem algumas bonus tracks, com músicas das bandas que fiz referência no texto.

The Breeders – Mountain Battles

Tags

Apesar do nome do disco (e da música que o conclui) fazerem referência à lutas nas montanhas, não há tom sério ou discussões políticas sendo levantadas pelas irmãs Deal. Pelo contrário. Não há novas guinadas, nem experimentações: apenas Breeders fazendo o que os Breeders sempre fizeram, e muito bem: uma variante mais pop e menos paranóica dos Pixies. No entanto, o tom que domina este disco é de certa melancolia, o que difere bastante do divertido alto-astral de Last Splash ou da bagunça esporrenta de Pod. Mesmo as músicas mais festivas, como a pegajosa “Bang On”, carregam um ar pesado, denso, que se assemelham mais a um final de festa que ao ápice dela.

O álbum não possui hits imediatos. Esqueça encontrar uma nova “Cannonball” ou “Safari”. Kim Deal não perdeu seu toque de fazer gemas pop em meio a feedbacks e distorções, mas composições como “Overglazed”, “Walk It Off”, “Istambul” não possuem a vivacidade de outrora que nos prenda à elas na primeira audição. Mas quando se consegue quebrar esta couraça inicial (talvez pelo estranhamento deste “mood” alheio aos Breeders) percebe-se a qualidade e concisão do disco.

Avaliação: 3,5 de 5

Download: http://www.mediafire.com/?caxszz4ytiv